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05/04/2003
Este livro compõe-se de 7 partes, ondas que se quebram em "7 espumas"...
21:58
NO LUGAR DE UMA DEDICATÓRIA
Anna Akhmátova
Ando sobre as ondas e me escondo na floresta,
sou esboçada no puro esmalte do céu.
A separação talvez não seja tão difícil,
mas um encontro contigo mal é suportável.
(Tradução de Lauro Machado Coelho)
21:35
Escrever é cheio de casca e de pérola.
Manoel de Barros
Creio que nos entendes, só, na praia, cheio ou vazio o mar, tens, se ondulas em ondas e, onda, te espalhas, sempre outra onda a dar. //Contra essa onda a pedra nada pode/ nem nada pode o mar, / que o mar, cheio ou vazio, o mar não pode/ outro mar conquistar.
Jaci Bezerra
10:28
10:12
10:06
NOIVA DA ÁGUA (MARINHAS)
1 Pérolas; 2 Esse mar; 3 Sereias; 4 O imaginário; 5 Chuvas; 6 Deslumbre;
7 É Isto.Isto é:isto é; 8 Espumas I.
9 Mulher no mar; 10 Nau/frágil I; 11 Nau/frágil II; 12 Nau/frágil III; 13 Nau/frágil IV; 14 Cantos de silêncios;
15 Profundo; 16 Espumas II.
17 Mangue; 18 Porta-estandarte; 19 Gênesis; 20 Usina; 21 Pura poesia I; 22 Pura poesia II;
23 Pura poesia III; 24 Espumas III.
25 Viagem; 26 Barcos de papel; 27 Aquário; 28 Espinheiro; 29 Ponte Rio-Niterói; 30 Encantamento;
31 Mosaico; 32 Espumas IV.
33 Estações atrapalhadas; 34 Baía; 35 Freya; 36 Alexandre; 37 Viking clandestina; 38 Desvelar;
39 O iceberb; 40 Espumas V.
41 Claroescuro; 42 Flor submersa; 43 Nau/frágil V; 44 Ondas e marés; 45 Olhares; 46 Sede;
47 O anjo; 48 Espumas VI.
49 Desfiados; 50 Algas e corais; 51 Dor cerrada; 52 Para o meu sonho naufragar; 53 Ser poeta no cerrado;
54 Planalto Central; 55 Espumas VII.
00:12
00:02
IMAGENS DE CONCHAS DESTE BLOG:
Northstar Sea Shell Gallery: The Art of the Sea Shell
fine art photography of sea shells and the art of the sea shell
00:00
04/04/2003
PÉROLAS
Não consigo conter estas palavras
que me vêm como oceanos.
Esta casa repleta de palavras
e cercada. Eu nadando aqui dentro
como num sonho -- afogada.
Eu-concha e elas: pérolas,
um colar preso em mim,
eu cercada por um colar de palavras
e chorando outras pérolas
-- um delicado fio arrebentado,
voando beleza por todo o lado.
Vou atravessando as palavras
desta casa, vou nadando.
Elas é quem mandam.
Quando se escreverem
e aparecerem como pequenos sóis,
ofuscarão meus olhos
com sua reverberação
e continuarão mentindo.
Descaradamente.
E isto continuará para sempre.
E isto continuará sempre me espantando.
21:05
ESSE MAR
O mar se estende azul-salgado
pelos seus olhos doces.
Atinge-me o coração
feito bala na minha língua.
Desvencilho-me do gosto de framboesa
e é patético meu gemido:
meias de náilon rasgando.
Porém.
Seu olhar me bate no coração
feito uma bala.
Fiquei tendos um amor cheio de luxo
-- o coração de renda,
todo perfurado.
Mas é preciso sentir isto
para se tocar a eternidade.
21:01
SEREIAS
As pessoas olham para a água
e ficam poéticas.
O dom da água parece mágica:
olhou no espelho, se transformou.
A água sob o sol fica
noite estrelada,
parece vestido indiano
bordado com espelhinhos.
Sereia é a água, perigosa
no meio de tanta simplicidade.
Mais que Sereia, a água é uma Rainha.
Ela pode ser doce como o meu corpo,
este que só ela realmente abarca.
E quando.
Ela pode (também) ser salgada.
E fica plural.
Perigosíssimas águas. Irresistíveis.
Lambendo-me da magia do seu profundo.
Todos ficando poéticos
em volta dela.
E eu no fundo.
19:57
O IMAGINÁRIO
(Desertos e oásis do nordeste brasileiro.)
Os Lusíadas e a Epopéia lusitana:
a Escola de Sagres nunca existiu
e sobre ela todo o mundo cantou e escreveu.
Parece mítica. Mas não é.
Desço de barco pelo Rio Preguiça.
Cascatas e piracemas.
Os rios resistem e há ventos alísios.
Parece música. Mas não é.
As gaivotas do Polo Norte chegam ao Brasil.
Areias de quartzo e dois oásis.
Dunas e lagoas mudam de lugar.
Parece móbile. Mas não é.
O Saveiro baiano, feito por antigos artesãos,
sai a navegar a partir do graminho.
Lembro Cousteau o explorador dos oceanos.
Parece métrica. Mas não é.
Escrevi três livros para o mesmo homem.
Ele nunca me deu um beijo. Pelo contrário.
Acho que foram quatro. Acho que foram todos.
Parece mentira. Mas não é.
As marés encontram um obstáculo:
é a duna barcana, com forma de meia-lua.
Vivo submersa em poesia.
Parece milagre. Mas não é.
Chove demais neste deserto.
Todo poeta possui uma regata de saveiros
velejando na imaginação.
Parece mágica. Mas não é.
19:52
CHUVAS
A noiva da água
e seu livro.
Um livro feito de chuvas.
As letras se derretendo,
os pingos dos is, os pingos!
Garças brancas,
papéis se esgarçando.
Poemas iguais
seus sentimentos:
expostos na lama.
19:38
É ISTO. ISTO É: ISTO É.
Eu não tenho nada,
já que o que pensava que tinha
era minha obra, minha poesia
com sua língua de sol
-- palavras de chuvas inundando de ouro
o caminho.
Não, eu não tenho nada porque sou dela
-- um ser em combustão --
ela não é minha
com suas cores de aurora.
Me ajoelho e digo: rubro fogo. É.
Papoula silvestre, a voz dela me tomando,
me abraçando -- vermelho ritmo.
Beleza que me tomou pela mão
e fez a inveja ficar me matando.
Mar de possibilidades todas impossíveis,
o nome dela me escorrendo
como canção, eu sinto:
um amor inominável,
mais além da minha vulnerável carne.
Voz de ouro e espinhos,
eu e ela -- transgressoras.
Sabemos, pensamos, escrevemos. E é.
18:53
DESLUMBRE
Um mar lilás e nuvens:
brisas, chuvas, montanhas,
beijos e cachos de uvas.
Praias, bromélias e amendoeiras:
o mar marulha em erres
nestas quartas-feiras.
À sombra do teu ombro,
olho pela primeira vez
o mundo e me deslumbro.
18:18
18:14
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18:11
18:06
MULHER NO MAR
Saiu, de canoa.
Homens a bordo.
Nunca mais viu o navio,
ele afundou -- uma tempestade
de enganos o abraçou.
Saiu, de canoa
e navegou o rio.
Tomou posse do delta, de canoa,
chegou ao Golfo extinto.
A água era escura
e tudo um desafio.
O barco afundou na baía.
Saiu, de canoa.
Tirou as jóias,
cortou os cabelos
e se despediu cantando
alguma ária antiga.
Parecia desvairada,
mas era pura calmaria.
Toda viagem é difícil.
Saiu, de canoa
e incendiou o barco,
antes da tempestade que o afundou.
A que saiu, de canoa,
-- ninguém a bordo --
queimou seu próprio navio.
15:43
NAU/FRÁGIL I
Memória,
gaivota encalhada
no solo ondulado da restinga
-- um mar esteve aqui, mas quando?
Umidade de chuva e de neblina,
lugar inóspito jamais visitado por golfinhos
-- não é saudade o que tange, é rompimento.
Deixamos os peixes para trás
e corais descorados.
No topo de alguma serra
cresce um arbusto seco e salgado.
Até Veneza, vai ver que um dia afunda,
até Veneza bela como as araras.
Não é saudade o que tange, é sentimento.
Tudo alucinação: incêndios de navios,
alguém segurando estrelas-do-mar,
botes e barris boiando.
Rescaldos, pedaços do meu solo,
pedaços do meu sonho
nas mãos dos caiçaras.
Não é saudade o que tange, é sofrimento.
15:40
NAU/FRÁGIL II
A luz das dunas douradas:
vestígios de um passado submerso
e posso vagar nas ondas até morrer
dissolvida nas águas.
Lembranças predadoras
com suas bocas
em forma de tulipa.
Lembranças magentas e vermelhas,
vestígios dos amantes:
peixes voando nas águas,
praias azuis da Namíbia
com pedras de diamantes,
corais e conchas.
Grãos de areia, punhados de areia,
areal — dunas douradas de luz,
úmidos labirintos, lembranças e ventos.
Deve haver uma janela,
deve haver uma porta no fundo,
uma porta no fundo do mar
para a inútil caravela.
15:35
NAU/FRÁGIL III
Os conveses abertos
das grandes travessias
rumo ao desconhecido:
o mar ultrapassou os diques.
Dizem que os deuses também eram violentos.
De onde partiu
essa jangada de gelo?
E quem molhou de lágrimas
o meu travesseiro?
Uma escuna, mastros encaixados,
velas e lençóis de linho, rasgados.
Meu saveiro,
meu sonho naufragou no esquecimento
dos ricos, dos deslumbrantes
recifes de coral do Mar Vermelho.
15:27
NAU/FRÁGIL IV
Na foz do rio Ganges,
ondas de lembranças imprecisas
— barcos desarvorados.
Rosto como as faces
de todos os mares
— mundos molhados e salgados.
Fósseis perdidos.
A pele amarga, antiga
como o rio Ganges,
guarda marcas do mar extinto
— do mar abrasado no leito
de um oceano que secou.
Ah, saudade de nascentes cristalinas,
rios transparentes — sonhos vão ao fundo,
como os mergulhadores: lentamente.
13:37
CANTOS DE SILÊNCIOS
Mar de Pessoa, abismo e espelho,
mar desvestido das águas de si mesmo
e nu, mar claro e verdadeiro.
Mar que, como eu, assim calado, vocifera
com sua voz de mar e de poesia.
Mar que me doa conchas, vagas e sereias,
as mesmas que meu poema esconde.
Mar da minha imagem refletida em ondas,
mar interminável que escande,
ininterruptamente, o seu som de mar.
Para que abismos cantamos, companheiro?
PROFUNDO
Esses mares violetas perigosos,
esses navios da Itália,
esses armadores desarmados
por amores.
Uma caçamba vira na Ponte:
tijolos derrubados.
Muros e casas, tornam ao pó
como um navio no Porto,
incendiado.
Mergulho nas águas do meu exílio --
a dor de um sonho submerso:
os peixes sangram, compartilham.
13:32
13:27
POÉTICA SOCIAL: UMA REVISTA CONSCIENTE!
13:21
13:10
PURA POESIA I
Escrevi seu nome na areia.
Os namorados fazem isto.
Os poetas enamorados também fazem.
As mulheres tímidas e apaixonadas
então, nem se fala!
Escrevi seu nome na areia
com o bico do meu sapato.
Já escrevi de todo o jeito, mas na areia,
não era acostumada.
A praia estava lisa: só seu nome escrito
e as marcas dos meus pézinhos em volta
— ficou lindo!
Poetas, poemas e músicas populares
dizem que o mar apaga os nomes
dos namorados que são escritos na areia.
Só com um pouco de vento já se apagariam.
Escrevi seu nome na areia
com os dedos dos pés e sapatos.
(Se escrevesse com os pequenos dedos
destas frágeis mãos, não apareceria.)
Ficou tão lindo que o homem parou
seu trabalho de limpar as folhas da calçada
e a mulher sentou-se no banco e ficou sorrindo.
Escrevi seu nome na areia
e registrei num retrato.
Escrevi seu nome na areia
e mesmo com mares e ventos,
seu nome ficou plantado para sempre
na Praia de São Francisco
e muitos pássaros.
00:09
03/04/2003
PURA POESIA II
Alguém chegou à praia e viu um nome.
Alguém chegou à praia
e leu um nome na areia, letras grandes.
Alguém chamou outra pessoa
para ver o nome à beira do oceano.
Era só isso: um nome escrito,
o mar, espumas e montanhas,
no exato momento em que Copacabana
e o céu acendiam as primeiras luzes.
Alguém te leu no chão e pensou consigo:
“Uma mulher deve amar esse homem.” E sorriu.
Sentiu um aperto no peito, uma pequena dor,
dessas que a poesia dá em todo o mundo.
Sorriu, cheio de estrelas por dentro,
batendo a cabeça de lado, como todo incrédulo.
22:06
PURA POESIA III
Você leu, no retrato, o seu nome
escrito na areia e chorou.
No fundo da paisagem, um Cristo
que já não chorava.
Era deserta a praia, eu queria ser Eva
e desejava entrar no seu nome. Como luva.
Beijei seus olhos que estavam lendo
seu nome e chorando. Seu nome
que você não viu eu escrever na areia
com tanta dor e tanto sentimento.
Era a pura poesia!
Só uma tentativa de rea-
ver.
Você lê, você chora,
mas não ava-
lia.
22:01
MANGUE
O rio escava o leito pela areia.
Em Veneza, já não há venezianos
e sim gôndolas quebradas nas ruelas.
De que vale navegar o Adriático
só para ver Veneza se afundando?
O rio escava o leito pela areia.
Todo rio desemboca no mar, é geografia,
ainda que seja mesmo o mar de pranto.
Ali, o solo é podre e fede enxofre;
todo feito de lodo, ali é o mangue.
O rio escava o leito pela areia,
Veneza afunda e existe o mangue
exatamente onde existe encontro.
Mas, em abril, hão de chegar
os primeiros bandos de andorinhas
e o milagre dos peixes está perto.
Tudo porque as neves se derretem no Tibete,
desabrocham-se nascentes
e o rio escava o leito pela areia.
O rio escava o leito, até quando?
21:55
PORTA-ESTANDARTE
Eu seria um bom barco
da popa à proa, a vela de lã bruta
ou de linho tingido de vermelho.
Navegaria em risco, nos Países Baixos,
só para ver o lírio azul de Van Gogh,
só para ver a casa de Anne Frank.
Se fosse mesmo um barco,
conheceria as trezentas ilhas do Caribe
deste planeta inundado. Eu seria um bom barco
neste mundo molhado e minhas guelras.
Faria registro dos navios baleeiros,
dos grandes degelos e levaria comigo
a turma do Greenpeace,
se fosse mesmo um barco.
Não haveria terra e meus pés
navegariam imersos canais e istmos,
às bordas do convés, se fosse barco.
Os remos seriam os meus próprios braços
e a pele fina, o casco. Casca de nóz, mas seria.
O passadiço, repleto dos fantasmas
de tripulantes que desistiram da viagem.
Eu seria um bom barco com meu mastro
sobre os ombros, como um porta-estandarte.
Na bandeira, o símbolo e o assombro.
Eu seria um bom barco
e a minha frota de mim, me acompanhando,
por dentro do nevoeiro.
21:50
GÊNESIS
Tudo o que penso é entre-parênteses,
mas o que sinto é em negrito.
Tudo me sofre entre aspas,
como se visse o mundo pela primeira vez
— uma romã aberta
com seus mil olhos itálicos.
Depois de tudo, escrevo, com travessão,
defendendo as palavras da embriaguez.
E minha voz começa o mundo,
transparente manhã de musselina.
O resultado é um poema
como um dardo
e como um bardo
francês.
21:42
USINA
Turbina, potência instalada, hidrelétrica:
Itaipu acabou com Sete Quedas.
Navegarei, passo a passo,
na construção de um sonho
tão belo quanto essa flor brasileira
parecida com um pássaro.
Quando o navio afundou,
eram duas pessoas a bordo.
Ela bordava com suas linhas.
O outro, “— Não sei ”, dizia.
Pequenas plantas sofrem
com os sais e os ventos marinhos.
Umidade de chuva e de neblina —
tudo é tão frágil no mundo!
Um homem caiu três vezes,
a Usina inundou mais sete.
Luzes, luzes e eu no escuro
e eu tão sem energia.
Tudo no mundo é frágil,
é frágil e vive por um fio.
21:34
21:26
27/03/2003
17:09
24/03/2003
18:37
VIAGEM
Fazemos esta viagem juntos.
Como estão distantes os outros passageiros!
Estarão no mesmo trem? Em que vagão?
Na capota do carro? À bordo do avião?
(Os poetas configuram-se em metáforas
fazendo uma viagem pelo espelho,
voando por um mar de alegorias
e aquele fruto é doce e está vermelho.)
Fazemos esta viagem juntos
por dentro dos nossos manuscritos
— fonemas e sons, nossos ministros.
(A poesia é descanso e prisão,
um balanço, uma lua, uma rede.)
No mais, o resto é a separação,
o inter/dito.
Os poetas são ânforas
com sede.
18:36
AQUÁRIO
Contra a turbulência do meu corpo,
vagueia a calmaria desses dedos —
centenas de mariscos pelas veias.
Entrar no mar sem se molhar
é impossível; as baleias
passam em março pela Califórnia
e é muito forte o canto das Sereias.
Uns crustáceos cegos moram nas areias,
nas areias desses olhos —
sentimentos duros, demarcados,
protegem-se dos ventos
com suas cerdas e antenas.
Alguns peixes, os mais belos, são de aquário:
contentam-se em ficarem na vitrine.
Determinados seres não sabem nem nadar,
quando se soltam, explodem — fenômeno
e há alimento abundante
nos labirintos de areia.
Pedras sem luz, pérolas falsas,
existem em muitas praias.
Braços abertos e os doidos movimentos
provocados pelas ondas, no mergulho,
na busca da gema verdadeira.
Há uma presa em meus braços:
com absurdos tentáculos,
fico bem perto de sugá-la inteira.
Somente os cegos mesmo, só os loucos
passam as mãos na pele das arraias.
18:33
ESPINHEIRO
Escrevo com o gosto de sua boca
nos lábios.
Persiste o cheiro dos seus
cabelos, um cheiro de maresia.
O meu pijama de inverno,
agora é branco, é pérola.
Apenas três botões me guardam.
E me guarda a sua poesia.
Reivindico para mim essa boca
que escrevo com seu gosto!
Que colha esses botões
de renda e a pele me atravesse.
Reivindico esse blues
pinçando agulhas,
esse esse — esse vudú.
Mas minhas palavras de espinhos,
todas desgastadas, se quebram.
Só a poesia fala comigo.
Mas diz: tirei tudo de você.
PONTE RIO-NITERÓI
Estou atravessando o mar, na Ponte.
É uma imensidão,
uma imensidade,
uma imensitude,
uma atitude,
maravilhidade;
uma corroró só me corroendo,
coisa horrorosa de deslumbridade.
A Ponte é uma minhoca,
ela é um coró!
Eu por cima dela: imersa.
Não há goiaba que suporte
as lesmas que inventamos.
18:29
ENCANTAMENTO
A bola do sol apareceu, ó Dadivoso;
surgiu frio, frágil como lua. Ainda assim,
gatos pela areia, amendoeiras, pescadores: todos rubros.
Frágeis velas te deslizam, Majestade.
Frágeis velas como o sol de hoje — tênues luzes.
Os homens saboreiam o teu sal, ó Magnífico!
E trazes conchas, conchas, conchas. Não precisa!
Mas insistes tuas jóias: enches os meus pés
de conchas, Perdulário.
Que grandeza que é isto, que riqueza
e tanta sobriedade, ó Inexplicável!
Te compreendo, agora, amardo.
Te compreendo, só agora, Absoluto.
Absolutíssimo e Déspota Esclarecido de luzes.
Ó insuportavelmente Intraduzível
Mar da minha infância.
Ó Bravo, desmanchando-se em nuvens
de delicadíssimas espumas.
18:24
MOSAICO
Sócrates exaltando os que vêem a luz,
eu acrescentando os que a (d)escrevem.
Ficar na linha de fogo – ser o alvo,
com um vestido de lese branco
e beija-flores em volta.
Mas o sentimento vermelho-grito.
Ele me deixou de mãos atadas.
Como poder discar um numero qualquer?
O importante é o telefone transparente,
com luzinhas coloridas:
cada discada é um caleidoscópio. E o Sol.
Escrever precisamente
da maneira mais imprecisa.
Mas preferir as inconveniências.
Tudo, no calor, se derretendo,
molhação pegajosa, molhação indeco-
rosa que levo me nascendo
em ovo e óvulo.
Olhar para eles todos, tão importantes,
sabendo, cá com meus passarinhos,
que vão passar. Tudo com gosto
de pimenta malagueta.
É este o dossiê, o Arquivo X dos poetas.
Mas com a cor também.
Num envelope de papel manilha,
provocar danos irreparáveis:
receba esta mensagem não gravada
e nem registrada por escrito
por estas mãos atadas
que chamam o poder da poesia.
Ele podia ter me matado
vinte vezes. Não conseguiu.
Falhou ai. E fiquei de novo madrugada.)
18:13
18:08
22/03/2003
ESTAÇÔES ATRAPALHADAS
Há um começo de outono no cerrado.
Mas eu percebo um fim de primavera
nas esquinas.
As folhas estarão verdes em Nova York?
Me lembrei de quando levitava.
Mas eu levito? É corriqueiro,
para quem já viu o Balé da Ópera de Paris
e adora usar mocassins.
Aprendi com as orientais
a dançar com os olhos,
já que minhas mãos são bailarinas.
As ikebanas que faço nas tardes,
são, das minhas coisas, as mais bonitas.
O executivo suja a gravata de sopa.
Levitar serve para alguma coisa?
Ah, meus vestidos brancos de verão!
E rendas.
Kaváfis morava em Alexandria,
na rua Lipsius. A minha rua
é uma rua de pobre e não tem nem nome.
Mas é nela que muito ando e, às vezes, levito.
É dançando. Vestida da fantasia de poeta
que fiz para mim: gazes e sonhos.
Mas um dia, antes do que pensam,
os gazes se solidificam —
um véu de diamantes.
00:02
21/03/2003
BAÍA
Sigo chupando balinhas de hortelã
e vendo barcas e caramujos,
sarças e marujos.
Sou uma ilha de solidão nesta amplitude.
O sol que me ilumina é navegante.
Não tenho costume com mar,
é uma inquietude.
Profundo mar da poesia
que me afunda e expande;
profundo mar — eu-ilha, um arquipélago.
Hálito de hortelã, ah, meu suspiro!
Me renasço todo o dia
na espuma de alguma concha.
23:59
FREYA
Uma guerreira de Odim em mar aberto,
com seu barco longo e estreito,
seus remos de manobras rápidas.
Uma camponesa marinheira
em seu drakkar, o seu dragão do mar.
Uma guerreira de Odim e sua fúria bárbara
“Da fúria dos loiros nórdicos, livrai-nos ó Senhor”,
já rezaram tanto os cristãos.
Uma clara pagã e sua maestria de navegação.
Uma guerreira de Odim mais o amor
e seu barco, uma canoa.
Uma guerreira camponesa, seus adereços e vestidos
de tecidos saqueados de piratas:
“ — Quero os de melhor qualidade."
É Freya, a noiva do mar, fios dourados na proa.
“— Os de melhor qualidade.
E vermelhos, por favor.”
ALEXANDRE
A luz desse Farol se projetava
a muitos quilômetros de distância.
A luz desse Farol que orientava
essa mulher de barco e à deriva.
(Sonhou um jovem general da Macedônia.
Sostrate arquitetou o edifício.
No topo do Farol havia um Zeus.
Cleópatra por ali, brincando de casinha.)
Sobrou só poesia em cima das ruínas.
A luz desse Farol no fundo do oceano.
A luz desse Farol submersa na baía.
Ilha de Faros, Farol de Alexandria
— todos sabem desse brilho, é História.
Mas ninguém sabe do que estou falando.
23:47
VIKING CLANDESTINA
Primeiro, os armadores cortam árvores
e constróem barcos.
Trabalho de carpintaria naval:
tábuas no casco e na cabine,
portinholas sobre o convés
e estrelas-do-mar no coração.
Sem remos, com vento, quantos nós alcançariam?
Ser marinheira de incerta glória —
em cada Porto um amor e a descoberta.
Ao mar! Disseram eles. Repito: Ao mar!
A boca espuma e o oceano.
Cardumes, crustáceos e cavernas.
É longe a costa. O casco esbarra
em quilômetros de gelos incontáveis.
A fome, o pescador e a pesca de uma noite:
sessenta toneladas de sardinha.
Por dentro da caverna, a estalactite.
Depois, os camarões, caranguejos e moluscos.
Fiz com que a esquadra se perdesse,
somente para que eu não fosse
a camponesa de melancólica rotina,
abandonando a nau, na sombra,
como clandestina.
Era um navio Viking, talvez,
embarcação em busca de catástrofe.
A guerra.
Vasco da Gama e Camões mudaram o mundo,
certamente, com seus inconcebíveis monstros.
Marinheiros conseguem conter a fúria
dos piratas. Por enquanto conseguem.
O ataque à melhor caravela,
a da imaginação,
parecida com a Pinta de Colombo,
com suas cordas e velas.
Fiz com que a esquadra se perdesse
e, em se perdendo, encontrou,
por dentro do meu lápis, o grafite.
Encalhes, costas difíceis de atracar.
Os barcos vão ficando cada vez mais ágeis
depois das nevascas e dos maiores vendavais.
As cores dos corais dependem das águas,
os corais com suas marcas circulares.
Colônias de corais no ancoradouro.
E âncoras.
Fiz com que a esquadra se perdesse
e, em se perdendo, encontrou
um cais que fervilhava.
Juntei-me a escória, braços tatuados.
Os músicos tocavam e a escolha
era bastante complicada:
ser marinheira de incerta glória
ou camponesa — rotina melancólica.
Um sonho de Mata Atlântica
com seus Cânions, as gargantas fechadas,
com seus cogumelos e cascatas.
Tudo muito completo e misterioso
como colonizar a bacia de um rio.
A volta ao Continente (o conteúdo mínimo),
desta forma. Aquela caravela, a nau, a esquadra
e até mesmo o navio Viking,
foram transportados para terra firme.
Ali foram enterrados.
Sete ordens no Caos,
é meu limite.
23:16
DESVELAR
Havia um véu de linho,
uma túnica de gaze
recobrindo sentimentos.
Havia um blaser
que era azul-marinho,
onde meus cabelos navegavam.
Havia, houve — passas
maceradas de uvas do passado.
Não espero. Me agasalho áspero:
frio sobretudo.
O ICEBERG
Sinto-me a última rainha
construindo quebra-mares;
mergulhadora sem fôlego,
defendo um turbulento porto.
Sinto-me só cascalho,
sedimento variando,
como as dunas, pelo vento.
Sinto-me tanque de algas, tubarões,
atuns, peixes-lua e as duas mãos
paralisadas por venenos intensos de medusas.
Os tubarões, no tanque, devorando tudo.
Incontáveis icebergs
das geleiras do Himalaia
e uma febre.
O mar está descendo em Estocolmo.
O mar está subindo no Havaí.
A infecção é grave:
que me mate esta neve
ou me leve uma nave.
20:16
20:10
CLAROESCURO
Sou o alvo.
Contra o veneno letal dessa serpente,
dose dupla de antídoto necessito.
Sou o alvo.
Se fosse ainda aquele barco,
balas se alojariam no meu casco.
Seriam os piratas
em treinamento de tiro?
Sou o alvo.
A noite engendra seus cactos
que vão se multiplicando
entre pedras, como os ásperos poemas.
Sou o alvo.
Clara fragata de vento,
clara fragata voando,
recifes de corais e sóis distribuindo:
sou a Alva.
FLOR SUBMERSA
Fuja antes do embarque, marinheiro!
Sofra um ataque de bom senso,
não se deixe prender em armadilha.
O mar, com suas perigosas águas
e suas aves costeiras de pios ásperos;
o mar que cavalgava adolescentes éguas.
Depois, o mar mudou de dorso:
grandes ondas, tempestades, correntezas.
O mar mudou de rumo.
À flor da água, a mentirosa garça branca,
toda feita de espumas
e há uma floresta,
uma floresta sonhando, submersa,
com o paraíso remoto de uma ilha.
00:58
NAU/FRÁGIL V
Aqui não chove nunca.
Me lembro da amurada, o dique,
os três canhões de bronze
e lá chovia muito.
O nome dele, na areia, já foi apagado.
Sigo comendo geleia importada
para me suportar. Então mergulho
na corrente marítima da poesia.
O vento poderia me fazer esse favor,
apagando também minha imagem do mundo
esta figura que só sabe amor.
Acima da linha d’água, só a memória
da pequena amendoeira com cabeça de pássaro.
Em todo naufrágio se encontram pratos,
talheres, machados, cerâmicas,
rolos de arame, ferramentas, espadas e mosquetes.
Quando chego ao fundo, há cartas,
poemas, retratos derretidos
junto ao cais. E blocos de granito.
ONDAS E MARÉS
As ondas levam e trazem,
como a maré sobe e desce.
Jóias, sapatos de couro,
ossos de um cachorro.
Antigamente, o escorbuto e a malária
matavam muita gente nas viagens.
Como a maré sobe e desce,
as ondas levam e trazem.
Pérolas na lama, alças de canhões,
pedaços de porcelana.
No Arquipélago de Abrolhos
há sempre vários naufrágios:
homens fecharam seus olhos.
Várias marés sobem, descem
e luas se alucinam.
Barcas de pesca, a remos,
repletos de nada, os conveses.
As ondas levam e trazem:
desejos de uma nau navegam
num barco tão pequenino.
O nevoeiro expande-se e mata.
(Alguns navios modernos
têm enorme quebra-gelo.)
Mas o movimento de ondas e marés
estabeleceram um símbolo:
Quem é Esse que até aos ventos
e às ondas repreende?
Porque as ondas levaram e trouxeram
e as marés subiram e desceram,
há um Museu afogado
com seus candelabros e sinos.
00:50
OLHARES
Quando ele me olha, me azula inteira,
fico ilha, fico água e ele me olha de novo
por baixo da sobrancelha:
parece que me cerca a mil, a mar,
a milha, um oceano com movimento ritmado
de coração me debatendo
e ele continua olhando
meu olho de palha.
E ele me olha, me dedilha,
me encilha me olhando
e quando ele me olha,
fico dentro de uma bolha,
refletindo todo o espectro solar
e ele me tingindo,
me atingindo.
Assim, ele me olha
e ele me olha tanto e isto, desta forma,
é tão intenso pelo que valho, tão violento
pelo que colho, que meu olho molha
o rosto e salga e dá vontade de continuar,
sob o seu olhar, chorando muito
o comovido sentimento de ser tela
pintada de mar por um momento,
por um movimento de íris.
E mais ele me olha e seu olhar
me pilha olhando o olho dele: pronto,
caímos na armadilha!
E o olhar que olha, como estrela, brilha.
00:36
SEDE
Estarei no fundo do oceano,
com certeza.
Sem leme, navego e sou onda,
sou sonda mapeando este imenso a/mar
azul, azul que dói.
E porque lá, tão longe, ficou a enorme Ponte
Rio-Niterói, nada me salga,
não há alga, é água doce,
é chuva e céu: estarei
perto do sol, então, e nuvens
e um azul, azul que me penetra,
água potável que me bebe indecisa,
me embriaga de sede
e me concede o dom
de apoderar-me de todas as sedas
que envolvem meu nome,
meus braços, meu corpo, meus olhos, meu
broche de pedras. Tudo
tomado e diluído no azul,
uma cor idêntica as das listras
da sua camisa nova.
O ANJO
Desisto sempre, desde o começo.
Todos os dias desisto. O certo é que ele
não me permite penetrá-lo. Nunca!
Temo tocá-lo e ter a impressão
de abrir um freezer,
de ficar toda molhada
ou a impressão de entrar num templo
meio despreparada.
Se isso é um anjo,
vá-de-retro, satanás!
O que pretendo é um homem.
De veludo e cristal, mas que sorria,
tenha músculos, me acompanhe
nisto de ser mínimo e humano.
Todos os dias desisto. Desde o começo.
Mas isto já faz tanto tempo!
00:31
00:24
20/03/2003
CRÉDITOS PARA A MAIORIA DAS FOTOS DAS CONCHAS UTILIZADAS NESTE BLOG:
Northstar Sea Shell Gallery:
The Art of the Sea Shell
fine art photography of sea shells and the art of the sea shell
21:46
DESFIADOS
Pela terceira vez, ele inventou
uma desculpa esfarrapada
e me deixou em farrapos,
me sentindo culpada.
Fui direto para a cama
sem tomar banho.
Amanhã, que ele não vem,
por causa da desculpa,
vou comprar bastante estopa
e passo o dia inteiro lavando o carro.
Não tem chão aqui: é tudo água
no mar, na estopa, no rosto;
não tem chão aqui, a casa dos sonhos,
mas se tivesse, haveria de ficar
repleto de fiapos.
16:04
ALGAS E CORAIS
Você me deu as marinhas de presente:
esponjas e ouriços, um tapete colorido do oceano
nas taças de corais. Foi tudo mesmo como
o show de cores dos recifes.
Depois as algas abandonaram os corais —
foram-se os coloridos das flores-do-mar
que enfeitavam meus vestidos.
Fiquei com cara de mulher de pescador
esperando alguém voltar do mar,
pescando a dor.
Alcançar o fundo do Golfo,
sem molhar os pés, é impossível;
imprescindível queimar os dedos nos corais.
E cantar. E escrever muita poesia.
Mas as algas abandonaram os corais —
ambos perderam com o rompimento
da colorida e inábil parceria.
15:57
DOR CERRADA
Está quase todo cheio de palavras e versos
este caderninho em espiral
que trouxe ao Rio de Janeiro.
Mas é agosto e meu desgosto é.
Escrevo na rua, na praia, na praça.
Agora, estou dentro de um ônibus,
no meio do mar — desesperante.
As retinas tontas navegam
como as antigas caravelas.
Sigo, de caderninho espiral,
pelo meu mundo em espiral.
As pessoas, com reservas e sorrisos
— nem te ligo, novalgina, sonrisal.
Às vezes, no meio do mar, sofro agonias
— é esta dor de pau-terra do cerrado,
mas passa e vou olhando tudo na viagem
em que fujo do que é mais forte em mim.
As retinas tontas, navegam
por dentro do meu ser de caramujo,
como caravelas antigas.
PARA O MEU SONHO NAUFRAGAR
E agora, eu vou ter que chorar.
Para isto servem meus olhos
— mostram-me a dor repetida.
Destas marinhas, os líquidos maiores:
lágrimas, suores e corizas.
Chorarei tudo o que tiver,
do meu desgosto, igual Cecília;
tudo o que puder, furtivamente,
dizendo: é dor na perna,
no dedo, é dor de dente!
Um gosto de mar na boca,
um sol poente,
um nervo exposto.
15:06
SER POETA NO CERRADO
Conheci a maldade envolta em muita luz:
mistério dos meus labirintos.
Por isto sinto medo,
por isto morro tantas vezes.
Mas não chorei nenhuma vez,
desta vez.
Acho que estou mal-assombrada,
estou espalhada, pingando-me no cerrado,
estou duende, lúcida e inútil.
Estou doente, em erosão
e o vento.
Eu deveria ser de tecido cáqui,
mas sou musselina azul:
pura eternidade.
E delicadeza:
se você quiser, me passa
pelo buraco de uma agulha.
Ela é sagrada, dizem. E me odeiam:
Ísis, Osires, Hórus e seu séquito.
Algumas luzes cegam a gente,
mas é rápido, passa logo.
Minha Sol é maior: é da linhagem de Vei.
Estou morrendo de mim no cerrado.
Mas minha penosa poesia é implacável.
Ela não fecha os olhos.
Sei o que fazer com ela
mas não sei o que fazer de mim.
Vivo sob protesto.
Mulher sem medo, essa.
(Dizem.)
PLANALTO CENTRAL
Se eu abrir esta janela,
não mais verei o mar salgado e as montanhas
e não verei as praias com suas conchas,
os veleiros, as brumas, tanta espuma
e nem o encanto alegre das amendoeiras.
Se eu abrir esta janela,
verei mongubas e paineiras;
nenhuma pedra ou montanha: árvores baixas,
retorcidas, parecendo um sofrimento,
verei águas azuis e doces, sem balanços
e um sol, um sol de tudo, um sol de rei.
Se eu abrir esta janela agora,
enxugando com as costas da mão o suor da testa,
de certa forma, apertando os olhos, me verei:
é assim o mundo que eu entendo e gosto —
meu mar salgado é no rosto.
14:58
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14:45
F I M
14:42
14:31
PUBLICOU OS SEGUINTES LIVROS:
Caminhos de mim (poesia), Goiânia, Escola Técnica Federal de Goiás.
Tempo de Semear (poesia), Goiânia, Cerne.
Secreta ária (poesia), Goiânia, Cultura Goiana.
Poesias e contos bacharéis II (antologia, c/ Teles, J. Mendonça e Jorge, Miguel) Goiânia, Oriente.
O peixenauta (poesia), 1ª edição, Goiânia, Oriente; 2ª edição, Goiânia, Anima.
A alquimia dos nós (poesia), Goiânia, Secretaria da Educação e Cultura.
Miserere (contos), Rio de Janeiro, Antares.
Os procedimentos da arte (ensaio), Goiânia, UFG.
Anima mea (seleção de poemas), Goiânia, Anima.
Baco e Anas brasileiras (poesia), Rio de Janeiro, Achiamé.
Atalanta (contos), Rio de Janeiro, José Olympio.
A ti Áthis (poesia), Goiânia, Sec. Cultura e Prefeitura.
A forma do coração (poesia), Goiânia, Cerne.
Poesia(antologia poética) , Oficina Literária da Funpel,(xerox), Goiânia.
Prometeu americano (poesia), Goiânia, Kelps.
Ecos (poesia), Goiânia, Kelps.
Rayon (poesia), Goiânia, Cerne / Funpel.
Vrum (poesia), Goiânia, Edição da autora.
Chuva de ouro (poesia), Goiânia, Cegraf/UFG.
Urucum e alfenins – Poemas de Goyaz , Goiânia, Cegraf/UFG,2002
14:23
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